postado em: 01/04/21 as 14:30, atualizado em: 01/04/21


Campanha "Todos por Elas" é sucesso mesmo na pandemia


Com uma média oscilante entre 20 a 30 atendimentos pessoais diários, além das pessoas que apenas visitavam a exposição de fotos ou paravam em frente a vitrine da loja da Campanha “Todos por Elas”, a Associação dos Magistrados do Estado de Rondônia (Ameron) conseguiu atingir os objetivos de levar a informação e a conscientização à sociedade rondoniense a respeito dos efeitos sobre a violência doméstica e a agressão contra a mulher. Ostentando fotografias que simulam diversos tipos diferentes de agressões, a exposição encerrou o ciclo de visitações públicas na última quarta-feira (31) e nem mesmo o cenário de pandemia tirou o brilho da campanha, iniciada no Dia Internacional da Mulher, pois atraiu visitantes de todas as idades e classes sociais.

A presidente da Ameron, juíza Euma Tourinho, adianta que essa é apenas a primeira atividade de mobilização de temas relevantes à sociedade brasileira. “Durante esse mês, nós pudemos atender centenas de mulheres, mas não só elas como homens e famílias inteiras que vieram nos visitar. Com isso, constataram o nosso espaço em que havia a exposição de fotografias com mulheres caracterizadas com violências físicas, mas também descrevendo outros tipos de agressões. Ao final desses atendimentos, nós entregávamos uma cartilha explicando sobre os relacionamentos abusivos, as formas diferentes de violência e onde a pessoa poderia procurar caso essa violência ocorresse. Foi um mês riquíssimo em que nós pudemos demonstrar essa humanidade e esse acolhimento. Esperamos que continue sendo feita a Justiça por todas as mulheres, mostrando que nós estamos presentes e que elas não são invisíveis”, declarou a magistrada.

A exposição surpreendeu a juíza do 2º Juizado de Violência Doméstica de Porto Velho, Silvana Maria de Freitas, devido a sensibilidade e a importância que a Ameron conferiu ao tema. “A Ameron está de parabéns por apoiar essa causa que marca a vida de tantas mulheres. A violência é mais frequente e devastadora do que se imagina. Está em todas as classes sociais e independe, inclusive, de nível de escolaridade. Não adianta jogar para debaixo do tapete. Enquanto esse problema não for admitido como um problema real, seguiremos patinando. Então, essa exposição é um convite a admitir o problema e é um passo em busca de melhores condições para todas as mulheres”, opina a juíza que também é Conselheira Fiscal da Associação.

No ponto de vista da secretária-geral da Ameron, juíza Kerley Regina Ferreira de Arruda Alcântara, “é importante o posicionamento da Ameron ao dedicar o mês para a mobilização social e discussão sobre a violência doméstica e familiar.As imagens impactantes retratadas na exposição e o cuidado percebido com o material informativo apresentado foram importantes para sensibilização das pessoas que visitaram o stand”, pondera a magistrada.

A tesoureira-geral da Ameron, juíza Fabíola Cristina Inocêncio, também visitou a exposição e teve impressões positivas a respeito da campanha. “Importante e inédita a iniciativa da Ameron em expor ao público a realidade de muitas mulheres em nosso país. É essencial que falemos em violência doméstica e suas consequências para a família e a sociedade, assim como é necessário fomentar políticas públicas de acolhimento aos envolvidos, trabalho que é uma incessante busca de nossa Instituição. Enalteço o empenho da presidente Euma Tourinho no formato, escolha do local e intensa participação no projeto, bem como aos parceiros, a quem agradeço”, ressalta a tesoureira.

Outros magistrados também prestigiaram a exposição como a juíza Tânia Guirro, Marcia Serafim e o juiz Haruo Mizusaki. Mas não foram apenas os magistrados que visitaram a exposição, a campanha arrancou elogios de funcionários de estabelecimentos comerciais, empresários e famílias que visitaram o local nos 24 dias em que esteve aberta para visitação pública, como é possível acompanhar nos depoimentos a seguir.

“A exposição foi muito bem elaborada, aborda todos os tópicos relacionados à violência contra a mulher e ainda nos dão uma cartilha informativa, com as especificações dos tipos de abusos e violências e com os números que podemos ligar, caso necessitemos ou alguma mulher próxima a nós. Então temos que nos unir, pois esse drama faz parte do cotidiano da vida da mulher, sendo um fenômeno antigo e silenciado ao longo da história. Então basta. Vozes a ‘Elas’. Não se deixem agredir e procurem ajuda. Se amem. Então, nunca, jamais, em hipótese alguma, permita que um homem lhe agrida, da maneira que for, não permita”, avalia a vendedora Dina Ceane Tolentino Pantoja.


“Parabenizo com louvor a iniciativa de terem criado um espaço temporário no Porto Velho Shopping, pois amplifica vozes femininas que precisam ser ouvidas, amparadas e orientadas. Muitas mulheres desconhecem que não existe apenas violência física. A violência verbal que muitas sofrem afeta a saúde mental. A violência psicológica não é natural e não é aceitável. Como mulher achei a iniciativa excepcional”, comenta a empresária Cristiane Ralha

“Prestigiar a apresentação da campanha de enfrentamento a violência contra mulher exposta no shopping me fez enxergar que essa violência está mais perto de nós que imaginamos. Ela está de forma sutil até das mais graves possíveis como o feminicídio. Aparentemente o shopping é um local que você abrange públicos de todas as classes sociais, mas em maior número a classe média, que também possui mulheres que sofrem violência e muitas vezes passam por despercebidos pela sociedade, mais do que com mulheres de baixa renda, que tem suas violências mais expostas por conta dos famosos ‘barracos’. Campanhas como essas devem existir todos os dias, pois precisamos mostrar para essas mulheres que estamos para apoiá-las e para os agressores que se faz necessário a punição, mas também tratamento. Vivemos em uma sociedade com um machismo estrutural que precisa ser combatido”, analisa a advogada Tainá Amorim Lima.

“A impressão que eu tive é que muitas mulheres estão sendo vítimas de violência e ficam em uma situação bem difícil e complicada, porque muitas pessoas não tem noção do que se passa no dia a dia dessas mulheres. Através das fotos que estavam lá, eu pude ver a gravidade desse assunto e o quanto ele é importante. Essa campanha de combate a violência contra a mulher serve para mostrar que muitas mulheres são agredidas, mas elas não se expõem e por isso não é muito divulgado. É através dessas campanhas que a gente tem uma noção basicamente desse assunto. É um tema que devemos ter muito cuidado e um olhar especial. Eu vi lá que tem uma foto de uma mulher que saiu da Casa de Apoio e foi morta. Então, é um assunto muito sério e precisa ser tratado com mais rigor e um sensível olhar político e social. Eu fiquei pasmado quando vi aquela situação porque não convivo diariamente com isso, mas através da exposição, consegui compreender e entender essa situação”, comenta o assistente administrativo, Alan Nascimento Silva.

Durante o período da campanha, os deputados Doutor Neidson e Sargento Eyder Brasil apresentaram o projeto de lei estadual do Sinal Vermelho. O último também visitou a exposição. Vários Estados aprovaram o respectivo projeto do “X” vermelho que foi um grande estímulo ao Pacote Basta, no Congresso Nacional, que prevê mudança significativa na legislação relativa a violência de gênero, como a punição aos perseguidores (“stalkings"), cuja sanção presidencial ocorreu no início do mês de abril.

Fonte: Assessoria de Comunicação - Ameron

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